Smart Green Water | Andaluzia: Estratégias para Enfrentar a Seca

Resumo

A Andaluzia enfrenta secas cada vez mais frequentes e prolongadas, o que obriga a repensar a gestão da água de rega com critérios de eficiência, planeamento e digitalização, especialmente na bacia do Guadalquivir, onde se concentra a maior parte da rega andaluza. O documento analisa o enquadramento institucional e legal, os planos especiais de seca e uma ampla gama de soluções técnicas e digitais que permitem às comunidades de regantes e explorações agrícolas reduzir consumos sem perder viabilidade económica.

Descrição

A Andaluzia enfrenta secas cada vez mais frequentes e prolongadas, o que obriga a repensar a gestão da água de rega com critérios de eficiência, planeamento e digitalização, especialmente na bacia do Guadalquivir, onde se concentra a maior parte da rega andaluza. O documento analisa o enquadramento institucional e legal, os planos especiais de seca e uma ampla gama de soluções técnicas e digitais que permitem às comunidades de regantes e explorações agrícolas reduzir consumos sem perder viabilidade económica.

Enquadramento institucional e planos de seca
O texto descreve como a Diretiva-Quadro da Água e a Lei da Água organizam a gestão por demarcações hidrográficas, distinguindo entre bacias intercomunitárias, geridas por confederações hidrográficas, e bacias internas, sob jurisdição do Governo da Andaluzia. Neste contexto, a Consejería de Agricultura, Pesca, Água e Desenvolvimento Rural e a Confederação Hidrográfica do Guadalquivir desempenham um papel essencial na planificação, controlo de usos e ativação de planos especiais de seca.

O Plano Especial de Seca do Guadalquivir distingue entre seca prolongada (défice de precipitação) e escassez conjuntural (dificuldade temporária para satisfazer as demandas), classificando os cenários em normalidade, pré-alerta, alerta e emergência conforme índices quantitativos de precipitação e relação recursos–demandas. Cada cenário ativa medidas específicas de gestão da oferta e da procura de água, detalhadas em planos de atuação por unidades territoriais de escassez e que servem de referência às comunidades de regantes.

Direitos de uso e cessão entre regantes
O documento explica a diferença entre autorizações e concessões administrativas para usos privados da água, em função do volume anual utilizado e da localização da captação em relação à propriedade. Estes títulos, temporários e transferíveis, são emitidos pelo organismo de bacia ou pela administração regional e condicionam o quadro de atuação em situações de escassez.

Em períodos de seca, ganha relevância a cessão temporária de direitos de rega entre comunidades de regantes, prevista na Lei da Água como instrumento flexível para otimizar o uso do recurso. Estes contratos, voluntários e supervisionados pela Confederação, generalizaram-se na bacia do Guadalquivir e permitem movimentar volumes significativos de água entre zonas com diferentes disponibilidades.

Eficiência nas comunidades de regantes e explorações agrícolas
À escala comunitária, destacam-se medidas sobre infraestruturas (modernização de canais abertos para redes pressurizadas, tanques de armazenamento) e sobre gestão (manutenção preventiva, otimização de bombagens, gestão por turnos em redes mistas) para reduzir perdas e ajustar a distribuição em contextos de escassez. Do ponto de vista agronómico, recomendam-se mudanças nos sistemas de cultivo, favorecendo espécies e variedades mais eficientes no uso da água, bem como orientações técnicas específicas para cada bacia.

Na parcela, o documento foca-se no desenho de sistemas de rega eficientes (gota-a-gota e aspersão bem dimensionados), na manutenção de redes internas, no armazenamento e reutilização da água, e em regas deficitárias bem planeadas segundo as fases de sensibilidade das culturas. Complementarmente, propõem-se práticas agronómicas como a melhoria da matéria orgânica do solo, coberturas vegetais, mulching, escolha de variedades menos exigentes e ajuste do calendário de sementeira para evitar picos de stress hídrico.

Ferramentas digitais face à seca
Uma parte central do relatório dedica-se às soluções digitais que permitem conhecer melhor o sistema, planear a distribuição e verificar o cumprimento das estratégias de poupança. Entre elas: inventários georreferenciados de culturas em sistemas de informação geográfica, plataformas de teledeteção com satélites e drones, redes de sensores IoT no solo, nas plantas e na rede hidráulica, e contadores e manómetros digitais para deteção de fugas e controlo de consumos em tempo real.

O documento inclui também o uso de redes agroclimáticas públicas (RIA/SIAR), aplicações para programação de rega e fertirrigação, e sistemas avançados baseados em inteligência artificial e gémeos digitais capazes de prever a procura de água e simular cenários de distribuição. Estas ferramentas permitem às comunidades de regantes conceber recomendações ajustadas a dotações reduzidas, coordenar estratégias de rega deficitária e melhorar a transparência e a coesão entre utilizadores em momentos críticos.

Propostas para as comunidades de regantes
Como conclusão, propõe-se que as comunidades de regantes elaborem os seus próprios planos de seca, alinhados com os Planos Especiais de Seca mas adaptados às suas infraestruturas, modos de gestão e estruturas de cultivo. Estes planos devem definir critérios de repartição por cenários de escassez, incluir incentivos para os regantes mais eficientes e prever mecanismos internos de cessão temporária de direitos a fim de mitigar o impacto económico da falta de água. A adoção progressiva de gémeos digitais e sistemas preditivos surge como uma via promissora para simular múltiplos cenários de disponibilidade e apoiar decisões mais informadas e consensuais num contexto de mudança climática.

O documento pode ser consultado aqui: SGW – Estratégias seca Andaluzia.