Que resultados esperam alcançar com o projeto?
Através do Projeto ECOSPHEREWINES, esperamos contribuir para uma melhoria significativa da biodiversidade nas paisagens vitivinícolas da Região Demarcada do Douro. O nosso objetivo central é promover boas práticas de gestão das paisagens vitivinícolas que potenciem a Biodiversidade Funcional dos ecossistemas vitícolas, que permitam otimizar os serviços do ecossistema e reforçar a resiliência das vinhas face aos desafios ambientais e climáticos. Através das ações previstas pretendemos gerar conhecimento científico e técnico robusto que apoie uma tomada de decisão mais informada por parte dos vitivinicultores, incentivando à adoção de boas práticas vitícolas. Em suma, procuramos contribuir para um modelo de produção orientado para os 3 pilares da sustentabilidade (Ambiental, Económico e Social) que contribua também para a melhoria da resiliência climática do Setor Vitivinícola.
O que representa para a ADVID liderar um pacote de trabalho de um projeto Interreg Sudoe?
Liderar um Work Package de um projeto como o ECOSPHEREWINES representa, por um lado, o reconhecimento do consórcio do trabalho realizado pela ADVID ao longo dos anos em biodiversidade funcional e a sua capacidade de aproximar e orientar os resultados para as necessidades do sector vitivinícola, e por outro, uma responsabilidade, enquanto Estrutura de Interface entre Sistema Científico e o Setor Vitivinícola, de promover estratégias e planos de ação baseados no conhecimento gerado e adaptadas à realidade do setor.
Porque considera que a cooperação internacional é fundamental numa iniciativa como o ECOSPHEREWINES?
Ao longo dos seus 43 anos de atividade, procurámos sempre promover parcerias internacionais por forma a promover a partilha transfronteiriça de conhecimento no sector vitivinícola e acompanhar as tendências e desafios do sector à escala global. Ao longo desta atividade constatámos que muitos dos desafios são transversais a uma grande maioria dos países vitivinícolas, tais como a perda de biodiversidade e as alterações climáticas.
Neste contexto, em iniciativas como o ECOSPHEREWINES, consideramos que a cooperação internacional é fundamental, porque permite a partilha e transferência de conhecimento, experiência e soluções práticas que podem ser adaptadas a diferentes realidades regionais. O ECOSPHEREWINES junta parceiros de Portugal, Espanha e França, o que nos permite partilhar boas práticas e aplicar as melhores soluções, promovendo um impacto positivo no setor vitivinícola em toda a região do SUDOE.
Qual é o contributo técnico da ADVID para o ECOSPHEREWINES?
A ADVID assume um papel técnico e científico, mas também de envolvimento do sector vitivinícola no ECOSPHEREWINES, alicerçado na relação com os seus Associados e restantes agentes do sector vitivinícola e na sua experiência em I&D neste tema e no trabalho desenvolvido pelo seu departamento CoLAB Vines&Wines. No projeto, contribuímos para a revisão do estado da arte sobre infraestruturas verdes e gestão ecológica das vinhas, para a caracterização das paisagens vitícolas do Alto Douro e para a identificação dos fatores que influenciam a adoção destas práticas pelos produtores. Lideramos também a definição e implementação de Nature-based solutions nas áreas de experimentação e, como coordenadores do GT3, dinamizamos a rede de entidades responsável pela transferência de conhecimento e capacitação e ligação ao setor. Graças à nossa articulação com a comunidade científica e com os agentes vitivinícolas, asseguramos uma disseminação eficaz dos resultados e promovemos um impacto real na transição para práticas mais sustentáveis nas vinhas.
Com uma perspetiva de futuro, o que representará para a ADVID a participação neste projeto?
A participação no ECOSPHEREWINES representa um marco importante para a ADVID, permitindo-nos consolidar a nossa posição como entidade de referência na promoção de boas práticas vitícolas. Os resultados e o conhecimento gerados no âmbito do projeto irão apoiar uma tomada de decisão mais informada sobre infraestruturas verdes, identificando as práticas e metodologias mais adequadas a implementar junto dos nossos associados e parceiros. No futuro, acreditamos que esta experiência reforçará a nossa capacidade de inovação e ampliará a nossa rede de cooperação, potenciando novas iniciativas e colaborações. O impacto estender-se-á para além da Região Demarcada do Douro, património mundial da UNESCO, contribuindo para influenciar positivamente a adoção de práticas vitícolas mais sustentáveis a nível internacional.