A Comunidade Intermunicipal (CIM) de Tâmega e Sousa, no norte de Portugal, está a desenvolver um modelo inovador de gestão sustentável da biomassa florestal que combina prevenção de incêndios, economia circular e eficiência energética. No âmbito do projeto BIO4RES, a chamada Ação Piloto 3 propõe uma abordagem holística que integra a recolha, secagem, trituração e valorização energética da biomassa gerada em trabalhos florestais, com especial enfoque no município de Baião.
O modelo baseia-se no trabalho das brigadas de bombeiros florestais, que nas suas tarefas de silvicultura preventiva e proteção civil removem material lenhoso com potencial energético. Segundo explica Alexandre Vieira, chefe da brigada de operários florestais da CIM de Tâmega e Sousa, a madeira proveniente dos trabalhos na floresta é transportada para a base operacional, onde é armazenada até completar o processo de secagem. Posteriormente, é triturada num triturador biológico instalado no recinto, transformando-se em aparas que são utilizadas como combustível na caldeira da base. Esta solução permite garantir o aquecimento do edifício e a água quente dos vestiários, otimizando recursos e reforçando a sustentabilidade energética da infraestrutura.
A coordenadora do projeto BIO4RES na CIM de Tâmega e Sousa, Maria Manuela Alves, sublinha que a iniciativa tem como principal objetivo contribuir para a redução do número de incêndios na sub-região, atualmente a zona com maior incidência de incêndios rurais em Portugal. Para tal, o projeto procura diminuir a carga de combustível acumulada em espaços florestais através de trabalhos de silvicultura, ao mesmo tempo que promove campanhas de sensibilização dirigidas à população local sobre a gestão correta dos resíduos verdes, reduzindo assim a prática de queimadas incontroladas, frequentemente na origem dos incêndios.
Por seu lado, Mário Júlio, também coordenador do projeto, destaca que a Ação Piloto 3 pretende maximizar o potencial natural da floresta em Tâmega e Sousa através da criação de um modelo estruturado de recolha e tratamento de biomassa que envolva os agentes locais. Este sistema contempla a biomassa proveniente de diversas fontes, como as brigadas florestais, a recolha municipal de resíduos verdes ou as limpezas promovidas pela propriedade privada.
Entre os componentes-chave do modelo está a criação de um centro de recolha e tratamento de biomassa, concebido para o armazenamento, secagem e trituração do material, bem como a instalação de uma microcentral de valorização energética na Base dos Operários e Operárias Florestais da CIM em Gôve, Baião. A entrada em funcionamento de uma microcaldeira permitirá fechar o ciclo, transformando a biomassa recolhida em energia para uso local.
O projeto aspira que este modelo de gestão e aproveitamento da biomassa se torne uma referência replicável noutras microescalas rurais, contribuindo para uma gestão mais sustentável do território, para o fortalecimento da economia local e para a mitigação eficaz do risco de incêndios florestais.
