A região da Nova Aquitânia, um dos territórios europeus mais afetados pelos incêndios florestais nos últimos anos, constitui atualmente um campo de experimentação privilegiado para soluções inovadoras. Estão a ser testadas, à escala operacional, tecnologias de ponta dedicadas à prevenção de incêndios, bem como soluções biológicas para a restauração de florestas ardidas. Sob a coordenação da Xylofutur, um dos nove parceiros do consórcio, foi implementada uma ação piloto em quatro locais da região: Cestas, Landiras, Guillos e Hostens. Nestes locais, combinam-se dois eixos de ação: a deteção precoce dos focos de incêndio através de sensores avançados e a aceleração da regeneração natural nas áreas ardidas através da utilização de biofertilizantes de origem vegetal.
Estas experiências, desenvolvidas por start-ups tecnológicas francesas, têm como objetivo criar soluções concretas, operacionais e transferíveis para outros territórios do sul da Europa confrontados com os mesmos desafios: prevenir os incêndios e restaurar de forma sustentável as florestas após o fogo, num contexto de aceleração das alterações climáticas. Embora os ensaios se encontrem atualmente em diferentes fases de desenvolvimento, o seu alcance ultrapassa o âmbito regional. A longo prazo, os resultados obtidos poderão servir de referência para outras regiões europeias que pretendam reforçar as suas estratégias de prevenção de incêndios e acelerar a regeneração pós-incêndio dos seus ecossistemas florestais. Através desta ação piloto, a Xylofutur ilustra o papel crescente da inovação e das start-ups na gestão florestal do futuro, combinando tecnologias avançadas de antecipação de riscos com soluções biológicas respeitadoras dos ecossistemas.
Ações implementadas
No âmbito deste projeto, duas empresas foram selecionadas para a implementação das soluções testadas nos locais piloto. Por um lado, a SYLVIACARE é responsável pela experimentação da deteção precoce de incêndios florestais, com o objetivo de reduzir significativamente o intervalo de tempo entre o início de um fogo e a intervenção das equipas de emergência. O sistema baseia-se numa instalação simultaneamente simples e altamente tecnológica: quatro sensores capazes de monitorizar uma área até 10 hectares e uma plataforma de supervisão que permite comunicar com os sensores e receber alertas (na plataforma, por SMS ou por correio eletrónico). O sistema responde a três objetivos principais: detetar um foco de incêndio em menos de 10 minutos, geolocalizar com precisão o incêndio e transmitir a informação em tempo real aos intervenientes relevantes.
Para esta ação, os terrenos onde decorrerá a experimentação já foram identificados (em Cestas e Landiras), sendo compostos principalmente por pinheiro-bravo. A instalação será realizada durante o mês de janeiro.
A segunda inovação é liderada pela Elicir, uma start-up especializada no desenvolvimento de bioestimulantes 100 % vegetais. A sua tecnologia, protegida por várias patentes internacionais, permite às plantas tratadas melhorar a sua capacidade de exploração do meio, otimizar a regulação hormonal ao longo de todo o ciclo de crescimento e enfrentar melhor os diferentes tipos de stress ambiental. Estas soluções contribuem igualmente para a ativação natural dos mecanismos de defesa das plantas contra agentes patogénicos (fungos, vírus e bactérias), sem recurso a fatores químicos externos.
A experimentação teve início em junho de 2025 em duas parcelas afetadas pelos incêndios de 2022. A parcela de Guillos é maioritariamente composta por bétulas, e a de Hostens por pinheiro-bravo. O bioestimulante já foi aplicado nas parcelas e as próximas medições do crescimento das árvores serão realizadas no início de 2026.
Resultados esperados
Os locais piloto coordenados pela Xylofutur visam gerar dois tipos de resultados complementares: reforçar a prevenção de incêndios e limitar os danos florestais, bem como aumentar a resiliência e a capacidade de regeneração das florestas sem recurso a produtos químicos externos. Ambas as ações irão produzir um conjunto de dados experimentais destinados a serem analisados, capitalizados e replicados noutros ecossistemas florestais com características semelhantes.
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