Atualmente, existem inúmeros desenvolvimentos tecnológicos já validados para aplicação em explorações agrícolas: sistemas de sensores baseados em IoT, mecanismos de monitorização, ativação e gestão remota de infraestruturas, sistemas inteligentes de análise de imagem, entre outros. No entanto, estas tecnologias ainda não são implementadas de forma sistemática e em larga escala.
Entre os fatores que podem explicar esta situação encontram-se a incerteza quanto às modificações necessárias na exploração, o custo dessas intervenções, bem como o impacto real e positivo associado à adoção de determinadas soluções. Tudo isto tende a desencorajar os agricultores no momento de decidir investir de forma clara na implementação destas tecnologias.
É neste contexto que a introdução dos gémeos digitais no setor agrícola pode representar um marco qualitativo importante para convencer os responsáveis pelas explorações a dar o salto para a digitalização.
Com efeito, a possibilidade de recriar em detalhe a exploração e as suas infraestruturas, prever o seu comportamento e simular, a custos reduzidos, a implementação de uma ampla variedade de sistemas tecnológicos surge como um fator decisivo para verificar a aplicabilidade, a eficiência e as vantagens das soluções disponíveis no mercado. Desta forma, a “gemelização” pode ajudar o setor agrícola a adotar com maior confiança tecnologias emergentes que promovam a inovação nas explorações.
De forma semelhante, a robotização das explorações pode beneficiar significativamente do desenvolvimento de gémeos digitais agrícolas, uma vez que o elevado investimento associado à utilização de robôs para a execução de tarefas autónomas constitui atualmente um entrave à sua generalização.
Ao permitir testar virtualmente a adaptação de diferentes tipos de robôs às especificidades de cada exploração, analisar a viabilidade do desenvolvimento de aplicações robóticas e prever com maior precisão os custos da sua implementação, os gémeos digitais assumem-se como um elemento-chave para impulsionar a integração efetiva da robótica nas explorações agrícolas.
Este é precisamente o espírito que sustenta o projeto Agrobotics-Ditwins, cujo objetivo é combinar gémeos digitais, robótica e implementações em “Living Labs” para responder às necessidades de automatização de tarefas agrícolas — algo que até ao momento não foi plenamente alcançado.
Graças à participação de entidades de diferentes regiões do sudoeste da Europa (Andaluzia, País Basco, Comunidade Valenciana, Algarve, Alto Minho e Nova Aquitânia), e à colaboração entre investigadores e empresários do setor, o projeto procura desenvolver casos de uso reais que integrem gémeos digitais e aplicações robóticas agrícolas. Desta forma, pretende analisar necessidades concretas e propor soluções que representem um avanço significativo neste domínio, conjugando a experiência académica e técnica dos parceiros beneficiários com o envolvimento direto dos empresários agrícolas destas regiões.
Projetos como o Agrobotics-Ditwins representam um passo decisivo rumo à digitalização do setor agrícola, promovendo a utilização de gémeos digitais como ferramenta de validação virtual de tecnologias inovadoras, com destaque para as aplicações de robótica agrícola.