O risco de geadas nos vinhedos do Bergeracois constitui uma problemática relevante que pode afetar gravemente as colheitas. Este risco é particularmente elevado durante as geadas primaveris, entre os meses de março e abril, quando a videira se encontra na fase de abrolhamento e os rebentos jovens apresentam elevada sensibilidade ao frio.
Na viticultura distinguem-se principalmente dois tipos de geada: as geadas de radiação, que ocorrem durante noites limpas e sem vento, e as geadas advectivas, associadas à chegada de massas de ar frio, geralmente acompanhadas de vento, o que dificulta o seu controlo. Para fazer face a este risco, os viticultores recorrem a diferentes estratégias de luta passiva e ativa, cuja eficácia depende das condições locais e meteorológicas.
Avaliar o impacto de diferentes técnicas de luta ativa e passiva para a mitigação das geadas em vinhedos, utilizando novas tecnologias como drones térmicos e sistemas lidar, com o objetivo de identificar e recomendar as estratégias de luta passiva mais eficazes em condições reais de campo.
As principais atividades do ensaio piloto incluem:
revisão bibliográfica sobre geadas em viticultura,
preparação do material agrometeorológico e instalação dos equipamentos no terreno,
instrumentação da parcela piloto com uma estação meteorológica completa e sensores de temperatura e humidade do solo e do ar,
análise dos registos obtidos para a caracterização de episódios de geadas invernais e primaveris nos diferentes tratamentos,
aquisição de imagens térmicas de alta resolução através de voos com drone durante episódios reais de geada,
planeamento de novos voos térmicos em função da evolução das condições meteorológicas.
O ensaio piloto localiza-se numa parcela vitícola da região vitivinícola de Bergerac, na denominação de origem Monbazillac, no município de Pomport. Para além da parcela principal, é realizado um acompanhamento complementar noutras duas parcelas de Monbazillac e numa parcela da denominação Pécharmant, aplicando um protocolo simplificado com o objetivo de desenvolver uma metodologia de acompanhamento mais leve e replicável.
A parcela principal está equipada com uma estação agrometeorológica completa que mede a evapotranspiração potencial (ETP) e a radiação ultravioleta (UV). Esta instrumentação é complementada com sensores de humidade e temperatura do solo, utilizando tensiometria e sondas capacitivas, bem como sensores de temperatura instalados no vegetal e no solo.
Os dados recolhidos são integrados em plataformas especializadas de gestão de dados, permitindo um acompanhamento contínuo das condições climáticas e do comportamento térmico do vinhedo durante os episódios de geada.
No início do mês de março foi realizado um primeiro voo com drone em condições de geada, juntamente com um estudo lidar das parcelas, com o objetivo de quantificar o impacto das estratégias de luta passiva. Em função das condições meteorológicas, estão previstos novos voos durante a primeira quinzena de abril, em período noturno, ao amanhecer e a meio da manhã.
Os resultados do ensaio serão posteriormente partilhados com técnicos especializados em viticultura da CA24 e com os viticultores envolvidos, no âmbito dos comités técnicos do projeto.