Os progressos terapêuticos têm permitido melhorar significativamente a recuperação dos doentes com diagnóstico de cancro. Esta evolução coloca questões relativamente aos efeitos secundários a curto e longo prazo decorrentes dos tratamentos, nomeadamente da quimioterapia com cisplatina, amplamente utilizada. Este tratamento comporta riscos de surdez e zumbidos. Estes efeitos secundários podem ser debilitantes. O controlo destes efeitos adversos implica deslocações repetidas a centros de referência especializados, uma vez que requer equipamento audiométrico e competências audiológicas que não estão disponíveis ao nível dos cuidados de saúde primários. Esta dificuldade de acesso aos cuidados referidos representam uma desigualdade de tratamento entre as pessoas que residem em regiões de elevada densidade de cuidados diferenciados e as que residem em regiões com menos serviços, como é o exemplo das zonas rurais. Este acompanhamento não pode ser efectuado de forma rotineira para todos os doentes e as medidas de prevenção ou de tratamento não são realizadas atempadamente. Graças à implementação de soluções portáteis materializadas num tablet com auscultadores de redução ativa do ruído, os testes audiométricos podem agora ser realizados em casa, revolucionando os cuidados. O objetivo deste projeto é a implementação de um protocolo de acompanhamento que inclua os centros clínicos do território SUDOE. O consórcio irá 1/avaliar um protocolo de monitorização auditiva domiciliária por telemedicina de doentes submetidos a quimioterapia com cisplatina, 2/medir o seu impacto médico-económico, 3/proceder à personalização do tratamento utilizando métodos de inteligência artificial, tendo em conta dados epidemiológicos e de predisposição genética. A conceção e a avaliação deste projeto só podem ser concebidas à escala internacional, uma vez que se devem adaptar à diversidade dos sistemas de saúde, mas também à diversidade genética e cultural dos seus utilizadores. A validação destas soluções permitirá prevenir mais facilmente a toxicidade auditiva dos doentes em tratamento oncológico, corrigindo as disparidades regionais de origem económica ou geográfica em todo o espaço SUDOE.