Face aos crescentes desafios ambientais e socioeconômicos que ameaçam as florestas do sudoeste da Europa, o projeto SocialForest destaca-se como uma iniciativa vanguardista e colaborativa.
Financiado pelo Programa de Cooperação Territorial Europeu Interreg, o SocialForest tem como objetivo adaptar as florestas da Espanha, França e Portugal às mudanças climáticas, fortalecer sua resiliência a desastres naturais e contribuir para o desenvolvimento das áreas rurais onde estão localizadas.
SocialForest visa desenvolver uma Estratégia Florestal Transnacional e Planos de Ação baseados numa abordagem baseada em ecossistemas e nos serviços que estes proporcionam.
Para isso, definiu sete locais piloto estrategicamente selecionados nas regiões de Múrcia, Castela-La Mancha, Castela e Leão, Alentejo, Occitânia e Nova Aquitânia, que são representativos das principais florestas do sudoeste europeu: pinhais, azinhais, juncais, sistemas agroflorestais, carvalhais e faiais.
Graças ao trabalho de monitoramento por satélite, já foi possível identificar o grau de resposta de algumas dessas florestas a episódios como aumento das temperaturas, períodos prolongados de seca, etc., característicos do cenário atual de mudança climática.
Os primeiros resultados obtidos foram particularmente interessantes, permitindo identificar como uma floresta bem gerida é significativamente mais resiliente do que uma sem gestão.
As consequências deste estudo são muito relevantes, pois, por um lado, desmentem abordagens de conservação baseadas na “não ação” e, por outro, transmitem à sociedade como um todo (proprietários, gestores, administrações, empresas, cidadãos) o enorme desafio de como tornar essa gestão florestal eficaz num território como o do sudoeste europeu, onde esta é deficitária, e onde muitas florestas têm sérios problemas de abandono derivados do êxodo rural.
Precisamente, garantir a durabilidade e sustentabilidade da gestão florestal e promover a replicabilidade dos resultados alcançados é um dos objetivos do SocialForest. Para isso, ao longo de 2025 e 2026, lançará uma série de iniciativas formativas que incluirão oficinas, seminários e cursos desenhados para melhorar as competências dos proprietários e gestores florestais, bem como de outros atores-chave.
O SocialForest alinha-se estreitamente com os objetivos do Pacto Verde Europeu. Através da sua estratégia integrada de gestão florestal, o projeto contribui diretamente para a conservação de habitats e espécies, a proteção da biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais, a promoção da bioeconomia e o fortalecimento da adaptação da gestão florestal às mudanças climáticas.
PROGRESSO DO PROJETO
Um investimento para o clima e o meio rural
Com um orçamento total de 1 851 089 euros, dos quais 75 % são financiados por fundos FEDER, o SocialForest reúne um amplo consórcio internacional composto por nove parceiros de Espanha, França e Portugal, que combinam experiência em gestão ambiental, investigação científica e desenvolvimento rural.
Florestas mais resilientes, comunidades mais ativas
O principal objetivo do SocialForest é duplo: reforçar a resiliência climática das florestas do espaço Sudoe e promover o desenvolvimento socioeconómico das zonas rurais através de uma gestão florestal sustentável. Para tal, o projeto adota uma abordagem inovadora que combina tecnologias como a teledeteção, ferramentas de apoio à decisão florestal multiobjetivo e metodologias participativas, envolvendo proprietários, gestores, empresas, administrações públicas e a população local.
Entre os resultados esperados destacam-se a elaboração de uma Estratégia Florestal Transnacional, a implementação de ações-piloto no terreno, a formação de gestores florestais e a criação de um modelo de gestão transferível para outras regiões do sul da Europa.
Diagnóstico territorial e participação social: primeiros passos rumo à estratégia
Para alcançar os seus objetivos, o consórcio estruturou o trabalho em diferentes Grupos de Trabalho (GT).
O trabalho técnico organiza-se em três grandes grupos:
- GT1: Desenvolvimento de uma Estratégia Florestal Transnacional que combine resiliência climática e desenvolvimento rural.
- GT2: Execução de ações-piloto para enfrentar os riscos climáticos e a despovoação.
- GT3: Promoção da sustentabilidade a longo prazo através da formação de gestores florestais públicos e privados.


Estado atual do desenvolvimento dos trabalhos
O consórcio tem trabalhado intensamente no GT1, centrado no desenvolvimento da Estratégia Florestal Transnacional. Coordenado pela Universitat Politècnica de València (UPV), este grupo de trabalho iniciou-se com um diagnóstico exaustivo das massas florestais de cada região, recorrendo a tecnologias de teledeteção e à análise dos fatores que condicionam a resiliência dos diferentes sistemas florestais selecionados.
Esta análise técnica foi complementada por uma fase participativa. Através de entrevistas e workshops realizados nos três países, recolheu-se a visão de agentes-chave sobre os serviços dos ecossistemas e as prioridades de gestão.
Como resultado, foram definidos grupos de medidas prioritárias, que vão desde a melhoria do ciclo da água e da biodiversidade até à formação profissional, à governação e ao incentivo da gestão privada, totalizando mais de 70 táticas de atuação. O consórcio avaliou a sua aplicabilidade e categorização segundo abordagens de resistência, resiliência ou transição, culminando na elaboração do Projeto de Estratégia Florestal Transnacional.
Ações-piloto: aplicação prática e tecnologia de ponta
O Grupo de Trabalho 2 (GT2) centra-se na conceção e implementação de ações-piloto que validem no terreno as propostas da estratégia.
Estas ações permitem avaliar medidas destinadas a melhorar a estabilidade do solo, reduzir o risco de incêndios, promover a biodiversidade, diminuir a vulnerabilidade a pragas e doenças e reforçar o envolvimento social na gestão florestal.
Constituem igualmente um elemento central do projeto, ao permitir testar soluções replicáveis, medir os seus efeitos no território e gerar conhecimento transferível para outros contextos do espaço SUDOE.
Coordenação, transferência e futuro
Durante 2026, o Grupo de Trabalho 3 (GT3) irá focar-se na sustentabilidade e replicabilidade do modelo de gestão, bem como na capacitação de gestores florestais públicos e privados. O seu arranque está previsto para o primeiro trimestre de 2026, após a consolidação dos resultados das ações-piloto.








































