



As florestas do sudoeste da Europa enfrentam um cenário cada vez mais complexo: aumento das secas e das ondas de calor, incêndios mais extremos e frequentes, perda de vigor das árvores e degradação do solo. Este contexto afeta não só os ecossistemas florestais, mas também a segurança face aos incêndios, a disponibilidade de água, a biodiversidade, a paisagem e a economia rural.
Para responder a este desafio, o projeto europeu SocialForest está a desenvolver uma Estratégia Florestal Transnacional que oferece um enquadramento comum para Espanha, Portugal e o sudoeste de França. O seu objetivo é claro: apoiar decisões florestais mais coerentes, fundamentadas e comparáveis, passando das grandes orientações estratégicas para medidas concretas e aplicáveis no terreno.
A estratégia não substitui as políticas florestais nacionais, mas adapta-as e harmoniza-as a uma escala operacional, facilitando a sua aplicação prática e a partilha de aprendizagens entre regiões. Destina-se a administrações públicas, gestores florestais, técnicos, proprietários e entidades locais, contribuindo também para a transparência junto da sociedade ao explicar as razões para a priorização de determinadas intervenções.
O SocialForest foi construído a partir de um processo metodológico comum baseado em quatro etapas. Em primeiro lugar, foram selecionados tipos de floresta representativos do espaço SUDOE e definidos objetivos de gestão em termos de serviços ecossistémicos, como a proteção do solo, a regulação da água ou a redução do risco de incêndio.
A definição de prioridades combinou informação biofísica com um amplo processo participativo, incluindo entrevistas e workshops nacionais com especialistas e atores do território. Esta abordagem permitiu integrar critérios ecológicos com a viabilidade técnica e a legitimidade social das medidas propostas.
A segunda etapa consistiu na análise da vulnerabilidade dos sistemas florestais face às alterações climáticas, considerando o seu grau de exposição aos riscos, a sensibilidade e a capacidade de adaptação. Com base neste diagnóstico, a estratégia propõe três grandes orientações de adaptação: resistência, para manter o sistema atual quando ainda é viável; resiliência, para reforçar a sua capacidade de recuperação; e transição, quando é necessário promover mudanças mais profundas para modelos compatíveis com o clima futuro.
Com base neste enquadramento, o SocialForest está a desenvolver um catálogo harmonizado de táticas de gestão florestal, comparável entre países e alinhado com as estratégias nacionais existentes. Cada medida é associada aos objetivos que prossegue, à sua contribuição para a adaptação climática e às suas principais limitações práticas, permitindo avaliar sinergias e compromissos entre diferentes usos florestais.
Como ferramenta-chave, o projeto criou uma aplicação em Excel que traduz todo este enquadramento metodológico num sistema prático de apoio à decisão. A aplicação permite selecionar o tipo de floresta, priorizar objetivos, definir o perfil de vulnerabilidade e obter um conjunto fundamentado de medidas adequadas a cada situação, reduzindo tempos e aumentando a coerência e a transparência na tomada de decisão.
No seu conjunto, o SocialForest oferece um caminho claro para passar da estratégia à ação, facilitando decisões mais consistentes, comparáveis e defensáveis num contexto de crescente incerteza climática. Um passo em frente na gestão das florestas do sudoeste europeu com critérios comuns, mas adaptados à realidade de cada território.