Os participantes analisaram a relevância de ações como a elaboração de um inventário do património material e imaterial, a criação de rotas temáticas, a melhoria da acessibilidade nos municípios do Caminho ou a formação específica para o atendimento a pessoas com deficiência.
A Fundação Caminho Lebaniego realizou nas instalações da Câmara Municipal de Cillorigo de Liébana a quarta reunião do Hub ou grupo de trabalho do projeto europeu ULTREIA-Sudoe, dando continuidade ao processo de governação colaborativa iniciado semanas antes com o objetivo de impulsionar a dinamização económica e social dos territórios do Caminho Lebaniego.
Este quarto encontro, o terceiro de caráter operativo após a reunião informativa inicial realizada em Potes, reuniu representantes institucionais (entre eles, o presidente da Câmara de Cillorigo de Liébana, Jesús Cuevas, que atuou como anfitrião; a presidente da Câmara de San Vicente de la Barquera, Charo Urquiza, e os presidentes das câmaras de Pesaguero, Enrique Sabarís, e de Cabezón de Liébana, Jesús Fuente), agentes locais e profissionais vinculados ao Caminho.
A diretora da Fundação, Pilar G. Bahamonde, iniciou a sessão explicando alguns aspetos práticos das novas credenciais e do certificado Lebannensis, dando depois a palavra a Valeriano Teja, presidente da Peregrinos por Cantabria, que explicou brevemente o trabalho de análise da sinalização realizado nos diferentes traçados do Caminho Lebaniego.
Seguindo a metodologia participativa aplicada em encontros anteriores, a jornada desenvolveu-se posteriormente através de dinâmicas de trabalho em grupo centradas em duas das linhas estratégicas contempladas no Plano de Ação do projeto ULTREIA-Sudoe: o património cultural e a acessibilidade universal. No âmbito do património cultural, os participantes analisaram propostas destinadas a reforçar o conhecimento, a conservação e a divulgação dos recursos patrimoniais associados ao Caminho Lebaniego. Entre as iniciativas debatidas destacam-se a elaboração de um inventário detalhado do património material e imaterial existente nos municípios do itinerário, o desenvolvimento de rotas temáticas locais, a organização de atividades de sensibilização e formação sobre conservação patrimonial, o envolvimento da cidadania nos processos de recuperação e divulgação do património e a criação de programas de visitas guiadas que permitam enriquecer a experiência de peregrinos e visitantes.
No que diz respeito à acessibilidade universal, os participantes trabalharam diferentes medidas orientadas para garantir um Caminho mais inclusivo. Entre elas, abordaram-se a realização de diagnósticos locais para identificar barreiras arquitetónicas e oportunidades de melhoria, a execução de pequenas obras e adaptações em infraestruturas e equipamentos, a elaboração de informação acessível para diferentes perfis de utilizadores, a formação específica de pessoal no atendimento a pessoas com deficiência e a promoção de ações que contribuam para melhorar a acessibilidade em todo o percurso.
Durante a reunião também foram retomados alguns dos temas abordados na sessão anterior, especialmente os relacionados com o desenvolvimento local e a experiência peregrina. Nesse sentido, destacou-se a necessidade de consolidar uma rede estável de informação e colaboração entre os diferentes agentes do Caminho, capaz de facilitar a comunicação, a coordenação e a divulgação de iniciativas comuns. Do mesmo modo, insistiu-se na importância de reforçar a promoção dos produtores e artesãos locais através da realização de mercados específicos e da criação de um selo identificativo que permita dar visibilidade aos produtos ligados ao território do Caminho.
Outro dos aspetos destacados do debate foi a necessidade de identificar em cada localidade, município ou território pessoas e entidades que possam atuar como prescritores e embaixadores do Caminho, contribuindo para divulgar os seus valores, recursos e oportunidades de desenvolvimento. Com este objetivo, os participantes acordaram realizar em breve uma reunião específica, paralela ao calendário habitual do Hub, para avançar em medidas concretas que permitam estruturar esta rede de colaboração territorial.
Para além da implementação dos Hub, o projeto Ultreia Sudoe está a desenvolver outras ações complementares destinadas a melhorar a gestão do Caminho e a experiência de peregrinos e visitantes. Entre elas, destaca-se a instalação de sistemas de monitorização de afluência em diferentes pontos do itinerário para obter dados fiáveis sobre os fluxos de passagem, bem como a criação das Paradas no Caminho, espaços físicos e virtuais de acolhimento, descanso e informação que funcionam também como pontos de encontro com a população local e montra de produtos e serviços do território, contribuindo para impulsionar a economia local e a sustentabilidade.
Todas estas ações enquadram-se no projeto europeu ULTREIA-Sudoe, desenvolvido no âmbito do programa Interreg Sudoe, cujo objetivo é revitalizar o turismo de interior e promover o desenvolvimento rural nos territórios por onde passam os Caminhos de Santiago, fomentando estratégias partilhadas entre regiões do sudoeste europeu. Com isto, a Fundação Caminho Lebaniego reforça o seu compromisso com uma gestão mais coordenada, inovadora e sustentável do Caminho, apostando na colaboração público-privada como ferramenta chave para fortalecer a economia local e a coesão social.

Projeto Ultreia-Sudoe
O projeto Ultreia Sudoe desenvolve-se no âmbito do programa europeu Interreg Sudoe e, juntamente com as entidades espanholas (Fundação Caminho Lebaniego, Fundação Santa María la Real, Associação de Municípios do Caminho de Santiago Francês, Amica e a S.A. de Xestión do Plan Xacobeo), participam também a Agence Française des Chemins de Compostelle em França, o município português de Vila Pouca de Aguiar e a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Neste sentido, importa recordar que a Fundação Caminho Lebaniego é também membro ativo da Federação Europeia dos Caminhos de Santiago.
O ULTREIA-Sudoe, com um orçamento total de 1.407.300 euros distribuído entre os oito parceiros e financiado em 75% pelo programa Interreg Sudoe, prolongar-se-á até dezembro de 2026.
