Desde o seu lançamento, o projeto BioSolUDOE tem um objetivo claro: promover uma agricultura mais sustentável através do desenvolvimento de estratégias de proteção integrada das culturas baseadas em biossoluções inovadoras.
O projeto assenta em cinco Living Labs localizados em França, Espanha e Portugal, onde são desenvolvidas e testadas, em condições reais, soluções adaptadas à fruticultura e à horticultura. Estas ações são complementadas por iniciativas de formação e sensibilização.
Coordenado por um consórcio de dez parceiros de seis regiões SUDOE, o BioSolUDOE trabalha em 14 patossistemas com o objetivo de elaborar recomendações concretas e servir de modelo para outras regiões europeias.
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BioSolUDOE ruma à Andaluzia para visitar o primeiro Living Lab
Nos dias 21 e 22 de janeiro de 2026, os parceiros do projeto BioSolUDOE reuniram-se em Almería (Espanha) para visitar o primeiro Living Lab do projeto.
A Andaluzia Oriental é uma importante região agrícola que combina horticultura intensiva de alta tecnologia com a maior área olivícola do mundo. O setor das estufas ocupa cerca de 37 000 hectares, dos quais mais de 33 000 hectares se situam em Almería e 3 500 hectares em Granada. O inovador modelo de «estufa solar» maximiza a eficiência na utilização da água através de sistemas avançados de rega, água dessalinizada e tecnologias de reutilização da água. Este sistema intensivo de produção coexiste com os extensos olivais de Jaén, que abrangem mais de 580 000 hectares.
Acolhido pelo parceiro TECNOVA, o consórcio participou num programa repleto de reuniões técnicas e visitas de campo que promoveram a colaboração e a partilha de conhecimentos. Os parceiros visitaram, nomeadamente, o novo centro de I&D da Koppert, reuniram-se com os responsáveis pelo projeto FumiGreen (LIFE) e conheceram várias instalações de produção. A visita permitiu observar o elevado nível de adoção de soluções de controlo biológico, em especial de macro-organismos, nos sistemas de produção em estufa.
Duas empresas francesas externas ao consórcio (INCERES e CARBONWORKS) juntaram-se igualmente à delegação para beneficiar desta dinâmica de colaboração.
Esta primeira imersão ilustra plenamente o espírito colaborativo do projeto e estabelece bases sólidas para as futuras atividades em todos os Living Labs.
Um Living Lab em Portugal para impulsionar o trabalho no terreno
Nos dias 28 e 29 de abril, os parceiros do BioSolUDOE deslocaram-se a Alcobaça para visitar o Living Lab português, coordenado pela COTHN.
A região Oeste, situada na costa centro-oeste de Portugal, beneficia de um clima ameno de influência atlântica, solos férteis e condições particularmente favoráveis à agricultura intensiva. A produção frutícola constitui a principal atividade agrícola da região, destacando-se a reconhecida Pera Rocha, bem como maçãs, pêssegos, ameixas e pequenos frutos. A região possui igualmente um setor vitivinícola forte e uma horticultura diversificada, tanto em campo aberto como em estufa. A agricultura baseia-se sobretudo em explorações familiares de média dimensão, altamente mecanizadas e abertas à inovação tecnológica. Uma sólida rede de cooperativas e organizações de produtores apoia a produção orientada para o mercado, as exportações e o crescimento da agricultura biológica.
As discussões centraram-se em vários desafios importantes, como o fogo bacteriano (Erwinia amylovora) e os pulgões do género Dysaphis em macieiras e pereiras, elementos centrais para a proteção destas culturas.
Este trabalho reflete plenamente a abordagem do projeto: testar, experimentar e avaliar soluções em condições reais, em estreita colaboração com os produtores.
Três empresas ibéricas (MASSO, ANDERMATT e KOPPERT) juntaram-se igualmente à delegação para reforçar esta dinâmica.
Próxima etapa: nos dias 29 e 30 de setembro, com a visita ao Living Lab francês coordenado pela Invenio.
Um webinar para partilhar os primeiros resultados do projeto
No dia 9 de junho, o BioSolUDOE organizou um webinar em inglês, no âmbito da EU Green Week, para apresentar o projeto a nível europeu, divulgar os primeiros resultados e debater as perspetivas das biossoluções na proteção das culturas.
Um ano após o lançamento do projeto, este importante evento permitiu fazer um balanço dos progressos alcançados: os Living Labs estão agora plenamente operacionais e as primeiras estratégias desenvolvidas já estão a ser implementadas no terreno.
O programa incluiu:
- Uma apresentação do projeto e da sua abordagem transnacional;
- Uma visão geral das biossoluções disponíveis e do seu potencial;
- Testemunhos sobre a sua integração nas estratégias de Proteção Integrada (IPM);
- Um debate sobre as condições necessárias para uma implementação em maior escala.
As discussões, dinâmicas e participativas, evidenciaram não só os desafios, mas também as oportunidades que as biossoluções oferecem para apoiar a transição agrícola.
Este webinar representa, assim, uma etapa importante na divulgação dos progressos do projeto e contribui para a reflexão coletiva sobre as futuras estratégias de proteção das culturas.
Os comités locais implementam estratégias sustentáveis de proteção das culturas
Durante o seu primeiro ano, o projeto BioSolUDOE desenvolveu diversos ensaios de campo em diferentes patossistemas da região SUDOE, com o objetivo de reduzir a utilização de pesticidas químicos através da integração de bioprodutos sustentáveis.
As medidas implementadas nas explorações agrícolas incluem a redução do inóculo, a gestão das culturas de cobertura, técnicas de poda adaptadas para combater os cancros bacterianos, a utilização de insetos auxiliares e microrganismos benéficos para controlar as populações de pragas, bem como a utilização de modelos epidemiológicos preditivos para otimizar o momento das aplicações.
As estratégias testadas abrangem extratos botânicos (Equisetum, Inula viscosa), agentes de biocontrolo (Bacillus spp., Trichoderma spp., Beauveria bassiana, Amblyseius andersoni, Amblyseius swirskii, Phytoseiulus persimilis, Trissolcus japonicus e bacteriófagos), além da libertação de inimigos naturais e da utilização de derivados de cobre ou alumínio de baixo impacto, sempre comparados com os tratamentos químicos convencionais.
Atualmente, os ensaios de campo — em particular nos sistemas de fruteiras e culturas hortícolas — encontram-se em pleno desenvolvimento, com aplicações ativas de biossoluções e uma avaliação contínua dos sintomas observados.
Nos próximos meses, estarão disponíveis os primeiros resultados definitivos da eficácia em campo, à medida que as culturas atinjam a maturidade. A fase seguinte consistirá em consolidar estes dados validados para estabelecer orientações robustas de proteção vegetal de baixo impacto destinadas aos intervenientes agrícolas da região SUDOE.