Principais conclusões da análise PESTAL dos RCD em Portugal no âmbito do DeCoWaste

Imagen aérea de Viana do Castelo

O projeto europeu DeCoWaste continua a avançar na sua fase de análise inicial com o estudo do contexto dos resíduos de construção e demolição (RCD) no espaço SUDOE. Após a análise realizada em Espanha, o foco centra-se agora em Portugal, concretamente no território de Viana do Castelo, onde foram identificados os principais fatores que condicionam a recuperação e valorização destes resíduos.

Este diagnóstico faz parte do documento “Análise prévia sobre as dificuldades na recuperação e valorização dos RCD no espaço SUDOE”, elaborado pelo consórcio do projeto DeCoWaste, que analisa as barreiras políticas, económicas, sociais, tecnológicas, ambientais e legais relacionadas com a gestão dos resíduos de construção e demolição em Espanha, França e Portugal.

 

Portugal perante o desafio da economia circular na construção

A gestão dos resíduos de construção e demolição tornou-se um dos grandes desafios ambientais europeus. Segundo a análise realizada no âmbito do DeCoWaste, os RCD representam aproximadamente 36% do total de resíduos gerados na União Europeia, enquanto o setVista previa (abre en una nueva pestaña)or da construção é responsável por cerca de 40% do consumo energético e 36% das emissões de gases com efeito de estufa associadas à energia.

Neste contexto, Portugal trabalha para avançar rumo a modelos mais sustentáveis, alinhados com o Pacto Ecológico Europeu, a economia circular e as estratégias de descarbonização do setor.

Um enquadramento político alinhado com a Europa, mas com desafios de implementação

A análise PESTAL identifica que Portugal partilha com os restantes países do espaço SUDOE o desafio de transformar os objetivos europeus em ações concretas a nível local.

As políticas promovidas pela União Europeia — como o Plano de Ação para a Economia Circular, a “Onda de Renovação” ou a Nova Bauhaus Europeia — estabelecem um roteiro claro para uma construção mais circular, resiliente e eficiente.

No entanto, um dos principais desafios identificados é a necessidade de reforçar:

  • A coordenação entre administrações
  • Os sistemas de controlo e rastreabilidade
  • A gestão em pequenos e médios municípios
  • A aplicação homogénea da legislação

O estudo destaca que a governação e a cooperação entre atores públicos e privados serão determinantes para melhorar a valorização dos resíduos no território SUDOE.

Custos, financiamento e novas oportunidades económicas

Do ponto de vista económico, a análise destaca que a correta gestão dos RCD continua a representar um desafio para muitas empresas, especialmente pequenas e médias empresas de construção.

Apesar disso, identificam-se importantes oportunidades ligadas a:

  • Fundos europeus para inovação e sustentabilidade
  • Taxonomia verde da UE
  • Investimento em tecnologias limpas
  • Criação de novos mercados para materiais reciclados

O relatório sublinha que a economia circular pode tornar-se um motor de competitividade e criação de emprego verde no setor da construção.

A perceção social continua a ser uma barreira

Um dos aspetos mais relevantes da análise é a dimensão social e cultural dos RCD.

O estudo identifica que ainda existe alguma desconfiança em relação aos materiais reciclados provenientes de resíduos de construção e demolição, especialmente quanto à sua qualidade e desempenho técnico.

Para inverter esta situação, o relatório destaca a necessidade de:

  • Promover campanhas de sensibilização
  • Impulsionar formação técnica especializada
  • Desenvolver certificações e normas
  • Demonstrar casos piloto reais

Além disso, a análise valoriza o potencial da economia circular para gerar emprego qualificado e novas oportunidades profissionais ligadas à reciclagem e valorização de materiais.

Inovação tecnológica para transformar resíduos em recursos

A inovação surge como um dos principais eixos de transformação do setor.

A análise destaca tecnologias e soluções como:

  • Demolição seletiva
  • Plataformas digitais de rastreabilidade
  • BIM e passaportes digitais de materiais
  • Classificação avançada de resíduos
  • Novos materiais de construção reciclados

Também é sublinhada a importância de aumentar o investimento em I&D e melhorar as infraestruturas de tratamento para favorecer a recuperação de materiais e reduzir a deposição em aterro.

Reduzir aterros e proteger os recursos naturais

Do ponto de vista ambiental, o estudo alerta para a necessidade de reduzir o impacto que os resíduos de construção e demolição provocam no meio ambiente.

O aumento do volume de resíduos provoca:

  • Saturação dos aterros
  • Maior extração de matérias-primas
  • Aumento do consumo energético
  • Emissões associadas ao transporte e produção de materiais

A análise insiste que avançar para modelos circulares permitirá reduzir a pressão sobre os recursos naturais e diminuir a dependência de matérias-primas virgens.

Um enquadramento legal cada vez mais exigente

O relatório destaca igualmente o reforço progressivo da legislação europeia e nacional em matéria de resíduos.

Entre as principais exigências encontram-se:

  • Demolição seletiva
  • Separação obrigatória dos resíduos por frações
  • Rastreabilidade dos materiais
  • Redução da deposição em aterro
  • Promoção da reutilização e reciclagem

Estas medidas obrigarão a adaptar processos e modelos de gestão em toda a cadeia de valor da construção.

Um diagnóstico para impulsionar soluções reais

A análise PESTAL desenvolvida no âmbito do DeCoWaste constitui uma base estratégica para as próximas fases do projeto, centradas no desenvolvimento de ações piloto e estratégias territoriais de valorização dos RCD.

O que está a travar a valorização dos resíduos de demolição em Portugal?

Nos próximos meses, o DeCoWaste trabalhará em soluções práticas para:

  • Melhorar a recuperação de resíduos
  • Facilitar a sua reutilização
  • Impulsionar novos modelos de negócio circulares
  • Reduzir deposições ilegais
  • Favorecer a cooperação territorial entre Espanha, Portugal e França

👉 Acompanhe os avanços do projeto DeCoWaste e descubra como a economia circular pode transformar o setor da construção.

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