O projeto europeu DeCoWaste continua a avançar na sua folha de rota rumo a um modelo mais sustentável na gestão de resíduos de construção e demolição (RCD) no espaço Sudoe. Durante uma intervenção no encontro realizado no Porto, Isabel Serna, responsável pelo projeto no Ayuntamiento de Ceutí, apresentou o estado atual do projeto, os principais desafios identificados e as próximas ações que serão desenvolvidas nesta nova fase.
Prestes a concluir a sua fase inicial de análise, o projeto encontra-se agora num momento chave: a transição do diagnóstico para a implementação de soluções concretas.
Na União Europeia, os resíduos de construção e demolição representam aproximadamente 30% do total de resíduos gerados, enquanto o setor da construção é responsável por cerca de 50% da extração de materiais. A este impacto soma-se a baixa eficiência de muitos edifícios, o que reforça a necessidade de avançar para modelos mais circulares.
Além disso, em países como Espanha —uma situação que se repete noutros territórios— estima-se que cerca de 20% destes resíduos não são controlados, o que leva ao seu abandono no meio natural, especialmente no caso de pequenas empresas que não integram os custos de gestão nos seus processos.
“Temos um problema, temos um desafio. Mas se atuarmos de forma correta, podemos criar novos empregos verdes e oportunidades de negócio.”
— Isabel Serna, responsável pelo projeto DeCoWaste em Ceutí

Ações piloto: ecoparques e melhoria da gestão de resíduos
Nesta nova fase, o DeCoWaste irá impulsionar ações piloto em ecoparques, concretamente em Viana do Castelo (Portugal) e Ceutí (Espanha), com o objetivo de facilitar às pequenas empresas a correta gestão dos seus resíduos.
Estes espaços permitirão analisar como é feita a separação dos resíduos, identificar os tipos de materiais gerados e melhorar os processos de tratamento, contribuindo para uma gestão mais eficiente e controlada.
Valorização de materiais e novas oportunidades de negócio
O projeto também coloca o foco na valorização de resíduos, em colaboração com entidades de investigação como o ITC (Instituto de Tecnologia Cerâmica), que analisará os resíduos recebidos nos ecoparques para identificar novas aplicações.
Um dos desafios identificados é a reutilização de resíduos cerâmicos, que apresentam dificuldades devido à sua capacidade de absorção de água. Como resposta, o projeto irá explorar soluções inovadoras, como o desenvolvimento de mobiliário urbano inspirado na New European Bauhaus.
Além disso, parceiros como a Cementos La Cruz, fabricante de cimento sem clínquer, já estão a trabalhar na utilização de materiais reciclados e preveem incorporar no futuro agregados reciclados provenientes de diferentes fontes, reforçando assim o potencial do projeto para transformar resíduos em recursos.
Cooperação territorial e transferência de soluções
O DeCoWaste desenvolve-se num contexto de cooperação entre entidades públicas, empresas, centros de investigação e administrações regionais de Espanha, Portugal e França.
A partir do conhecimento gerado, o projeto avançará na definição de planos de ação territoriais, incluindo:
- Alto Minho (Portugal)
- A área de atuação da Trifyl em França
- Langreo (Espanha), onde a ASATA irá replicar as soluções desenvolvidas
O objetivo é conceber uma estratégia de recuperação e valorização de resíduos de construção e demolição que possa ser transferida não só para os territórios do espaço Sudoe, mas também para outras regiões europeias.
Vídeo: avanços e próximos passos do projeto
Pode ver um resumo da intervenção de Isabel Serna durante a apresentação do DeCoWaste no Porto no seguinte link:
Próximos passos: rumo a uma estratégia comum no espaço Sudoe
Nos próximos meses, o projeto irá centrar-se na implementação destas ações piloto e na consolidação de modelos replicáveis que permitam melhorar a gestão de resíduos no setor da construção.
Entre os impactos esperados destacam-se a redução do depósito de resíduos, o aumento da colaboração entre os diferentes atores da cadeia de valor, a melhoria da recuperação de materiais, a criação de novas oportunidades de negócio e emprego, bem como a redução da extração de recursos naturais.
Além disso, o projeto poderá candidatar-se a uma eventual ampliação no âmbito do programa Interreg Sudoe, em função dos resultados obtidos e das decisões do próprio programa, o que poderá permitir prolongar a sua duração e incorporar novos parceiros, tal como referiu Isabel Serna durante a sua intervenção.
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