O BIO4RES define uma estratégia inovadora para valorizar a biomassa florestal e reforçar a prevenção de incêndios na região SUDOE

bio4res-solsona-FOTO2

O projeto europeu BIO4RES apresentou em Solsona (Lleida) uma estratégia conjunta para a valorização energética da biomassa florestal, resultado da análise e do desenvolvimento de quatro projetos-piloto implementados em Espanha, França e Portugal.

A estratégia parte do reconhecimento de que a biomassa florestal representa um recurso com elevado potencial ainda subutilizado na região SUDOE. A sua valorização permite, simultaneamente, melhorar a gestão florestal, reduzir o risco de incêndios e gerar oportunidades económicas no meio rural, contribuindo ainda para a transição energética e para a resiliência dos ecossistemas.

O documento propõe uma abordagem integrada que articula a cadeia floresta-madeira-energia e assenta em três grandes pilares: o impulso à produção de energia renovável a partir de biocombustíveis florestais, a redução da carga de combustível nas florestas como medida preventiva contra incêndios e o desenvolvimento económico local através da ativação de novas cadeias de valor ligadas à biomassa.

Entre os seus principais objetivos, a estratégia visa melhorar o conhecimento sobre a disponibilidade de recursos florestais, reforçar a cadeia logística e de abastecimento, eliminar barreiras para os diferentes intervenientes do setor, aumentar a transparência do mercado e avançar na coordenação das políticas públicas. Além disso, inclui ações de comunicação e sensibilização para promover o envolvimento social e territorial.

O plano de ação contempla medidas concretas, como o planeamento dos recursos florestais, o desenvolvimento de infraestruturas logísticas e centros de recolha, a criação de instrumentos de coordenação institucional e a implementação de ferramentas digitais que facilitem a gestão e o intercâmbio de informação entre os agentes do setor.

Quatro projetos-piloto para transformar a gestão florestal

A estratégia baseia-se em quatro experiências-piloto que abordam de forma complementar os principais desafios da prevenção de incêndios e da valorização da biomassa.

O projeto-piloto sobre o impacto da exploração da biomassa na biodiversidade, desenvolvido pela Union des Communes Forestières du Grand Sud (França) e apresentado por Irène Sénaffe, permitiu conceber ferramentas de planeamento — tais como mapas e indicadores específicos — que conciliam a redução da biomassa com a conservação dos ecossistemas. Esta abordagem facilita a identificação de zonas de elevado valor ecológico e a adaptação das intervenções florestais para evitar impactos negativos sobre habitats ou estruturas-chave.

O projeto-piloto de inovação em métodos de exploração florestal, liderado pelo CTFC (Catalunha) e apresentado por Gerard Alcoverro, analisou a utilização de maquinaria avançada e tecnologias como o LiDAR para melhorar a eficiência dos trabalhos florestais. Os resultados evidenciam melhorias na produtividade em determinados contextos, embora também sublinhem a necessidade de adaptar as soluções tecnológicas às características do terreno.

O projeto-piloto de modelos de gestão local da biomassa, impulsionado pela Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (Portugal) e apresentado por Maria Manuela Alves e Mário Júlio, propõe um sistema integral baseado na recolha, tratamento e valorização energética da biomassa à escala local. Inclui a criação de centros de recolha e de uma microcentral energética, apostando na economia circular, na proximidade e no envolvimento dos atores locais.

Por seu lado, o projeto-piloto de formação de equipas florestais, desenvolvido pela Nasuvinsa (Navarra) e apresentado por David Candel, centra-se na capacitação de pessoal especializado em gestão florestal e extração de biomassa. O programa combina formação teórica e prática e responde a desafios fundamentais, como a falta de renovação geracional e a escassez de mão de obra qualificada no setor.

Um modelo replicável para a Europa

A estratégia identifica também desafios estruturais que condicionam o desenvolvimento do setor, tais como as limitações logísticas, a concorrência com outros mercados da madeira, a falta de profissionais especializados ou a necessidade de maior inovação tecnológica. Face a isso, propõe um equilíbrio entre sustentabilidade ambiental, eficiência económica, desenvolvimento territorial e prevenção de incêndios como base de ação.

Neste sentido, o BIO4RES propõe um modelo replicável noutras regiões europeias que permita valorizar os recursos locais, reforçar a segurança energética, avançar na descarbonização e reduzir o risco de incêndios, contribuindo assim para a construção de paisagens mais resilientes e sustentáveis no espaço SUDOE.