O projeto USE4FOREST reúne em Santiago de Compostela um comité de peritos para melhorar a gestão florestal do território SUDOE

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A conselleira do Medio Rural, María José Gómez, anunciou hoje a próxima constituição de um Comité de Peritos do âmbito florestal que trabalhará “contribuindo com informação e iniciativas de futuro”, tanto no domínio da prevenção e defesa contra incêndios florestais como no da ordenação do monte. O anúncio foi feito durante a sua intervenção no ato inaugural do evento regional do programa europeu Interreg Sudoe contra incêndios florestais USE4FOREST, que decorre hoje em Santiago de Compostela, e no qual participa também o director xeral de Defensa do Monte, Manuel Francisco, que será responsável pelo encerramento do seminário esta tarde.

Segundo explicou a conselleira, o Comité de Peritos será criado para “escutar e contar com a opinião de cientistas, professores ou técnicos especializados”, que já participam habitualmente em projetos como o USE4FOREST, e configurar-se-á como “um espaço para somar conhecimento e transferi-lo para a tomada de decisões”. Gómez enquadrou a iniciativa na importância da investigação, do conhecimento científico e da responsabilidade social como ferramentas-chave na luta contra o fogo, juntamente com a prevenção e a extinção, tal como se evidencia através deste projeto europeu.

Sobre esta iniciativa Interreg Sudoe, a titular do Medio Rural destacou que o seu principal objetivo é melhorar a forma como os montes são defendidos face aos incêndios, abordando a questão “a partir de uma ótica multidisciplinar e centrada no rigor técnico”. Neste contexto, sublinhou que a iniciativa “já está a dar resultados tangíveis na Galiza”, como os dois novos postos de comando avançado móveis apresentados recentemente na base aérea de Verín-Oímbra, uma infraestrutura que também se tornou realidade através da cooperação transfronteiriça.

Além disso, a conselleira associou este tipo de projetos europeus a políticas que a Xunta impulsiona há vários anos e que incidem na prevenção. Assim, referiu-se ao Plano de Pastagens, à Escola de Pastores e aos corta-fogos produtivos, bem como ao convénio de gestão da biomassa nas faixas secundárias, centrado na proteção, especialmente nas freguesias priorizadas.

Nesta mesma linha, Gómez recordou as principais novidades da atualização do Pladiga 2026, como a incorporação de ferramentas digitais —e, concretamente, a nova aplicação cidadã para o alerta precoce de incêndios, que será apresentada em breve—, os sistemas de videovigilância e o reforço dos meios operacionais, tanto materiais como humanos. O objetivo, resumiu, não é outro senão “antecipar-se, planear e melhorar todos os anos a resposta”.

Programa da jornada

Além das intervenções institucionais, a jornada de debate deste projeto europeu contou hoje com a participação de diferentes técnicos e especialistas. Assim, o professor e investigador da Universidade de Vigo, Juan Picos, realizou uma demonstração do uso de simuladores em grande escala para modelizar o comportamento do fogo e localizar áreas com elevado potencial para se transformarem em Grandes Incêndios Florestais (GIF), mostrando como estas ferramentas permitem antecipar cenários de risco extremo e orientar as decisões de prevenção e extinção no terreno.

Da mesma forma, Enmanuel Oliveira, responsável pelo Laboratório Rural de Paredes de Coura —um espaço português de inovação agroflorestal situado em Viana do Castelo—, realizou uma análise histórica dos grandes incêndios florestais ocorridos no espaço Sudoe, que compreende um total de 26 regiões de França, Portugal, Espanha e Andorra, entre elas a Galiza.

No fórum participaram também diferentes técnicos da Xunta de Galicia, que abordaram temas relacionados com grandes incêndios florestais e boas práticas na gestão da biomassa. A jornada de análise será encerrada durante a tarde com uma mesa-redonda na qual participarão vários dos oradores que intervieram durante a manhã, e com a sessão de encerramento a cargo do director xeral de Defensa do Monte da Consellería do Medio Rural.

USE4FOREST é um projeto europeu contra incêndios cofinanciado em 75 % pelo programa de Cooperação Interreg Sudoe e conta com um orçamento de pouco mais de três milhões de euros. Na iniciativa, além da Consellería do Medio Rural, participam, por parte espanhola, a Escola de Enxeñaría Forestal da Universidade de Vigo; a Deputación de Ourense; a Junta de Castilla y León; a Hazi Fundazioa; a Fundación Tecnalia Research & Innovation e o Eixo Atlántico do Noroeste Peninsular. Além disso, integram o projeto diferentes entidades públicas e privadas de Portugal e França.

USE4FOREST: Montes geridos, territórios protegidos.