O projeto europeu GestEAUr, financiado pelo programa Interreg Sudoe, deu mais um passo no desenvolvimento de soluções inovadoras para a gestão sustentável da água, com a instalação, na Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Fontiveros, na província de Ávila, de um sistema-piloto modular desenvolvido pela Universidade de Castela-Mancha (UCLM). O equipamento permitirá avaliar, em condições reais, uma tecnologia baseada em processos eletroquímicos destinada a melhorar a regeneração e a reutilização de águas residuais.
O sistema foi concebido para produzir oxidantes in situ, ou seja, diretamente na própria instalação, evitando assim o transporte e o armazenamento de produtos químicos. Através de um processo eletroquímico, é capaz de produzir ozono gasoso e peróxido de hidrogénio, dois compostos amplamente utilizados no tratamento da água devido à sua capacidade para eliminar contaminantes e reforçar a desinfeção. Uma das principais vantagens desta tecnologia é o facto de ambos os oxidantes poderem ser utilizados de forma independente ou combinados para gerar outros agentes oxidantes, como as peroxonas, que aumentam a capacidade de eliminação de contaminantes difíceis de tratar e melhoram a qualidade da água destinada à reutilização.
Além disso, o sistema foi concebido para funcionar com energia solar fotovoltaica, o que permite reduzir o consumo energético e facilita a sua utilização em instalações isoladas da rede elétrica. O seu design modular e transportável possibilita a adaptação da tecnologia a diferentes necessidades e locais.
O sistema-piloto foi transferido, no passado dia 21 de julho, para a ETAR de Fontiveros, gerida pela Aqualia. Nas próximas semanas, começarão a ser obtidos os primeiros resultados dos ensaios, que permitirão analisar o desempenho desta tecnologia e avaliar o seu potencial para contribuir para uma reutilização da água mais eficiente, sustentável e adaptada às necessidades dos municípios rurais do espaço SUDOE.