Neste verão, o projeto europeu AgroSOL apostou na sensibilização do público para uma agrivoltaica útil e sustentável nos territórios rurais do Sudoeste Europeu, através de ações educativas que promovem a participação dos cidadãos.
Neste contexto, no dia 4 de julho de 2026 foi organizado um dia de portas abertas em Haut-Mauco (França). Cerca de quinze pessoas tiveram a oportunidade de visitar o demonstrador agrivoltaico da Ferme du Futur, um local experimental integrado na rede de projetos-piloto criada no âmbito do projeto Interreg Sudoe.
Organizada pela GLHD, Agrolandes e pelo coletivo de agricultores PATAV, responsável pelo projeto agrivoltaico Terr’Arbouts, a visita permitiu aos participantes conhecer, em condições reais, o funcionamento de uma parcela agrícola equipada com um sistema agrivoltaico.
Quase metade dos participantes eram residentes nas imediações do projeto-piloto, interessados em compreender melhor esta atividade presente no seu território. A jornada permitiu descobrir, de forma concreta, como a agrivoltaica possibilita combinar, no mesmo espaço, uma dupla utilização: a produção de energia renovável e uma produção agrícola mais resiliente às alterações climáticas.
A equipa da GLHD e os agricultores da PATAV partilharam a sua experiência no desenvolvimento de um projeto agrivoltaico em França, os primeiros ensinamentos retirados das três épocas de produção agrícola realizadas no projeto-piloto, bem como as vantagens agronómicas e energéticas desta solução inovadora. Os intercâmbios permitiram também responder às numerosas questões dos visitantes.

Este dia promoveu, assim, um diálogo aberto entre o promotor do projeto agrivoltaico, os agricultores locais e os cidadãos envolvidos no projeto Terr’Arbouts. Uma dinâmica indispensável para desenvolver projetos verdadeiramente adaptados às necessidades e às especificidades do território.
A apropriação local do demonstrador ficou particularmente refletida nos resultados de um questionário realizado junto dos participantes: 100 % dos residentes inquiridos declaram atualmente apoiar o projeto-piloto agrivoltaico.
Entre as principais vantagens espontaneamente destacadas encontram-se a possibilidade de produzir energia sem renunciar à atividade agrícola, a utilização eficiente dos solos e a coerência do projeto com o caráter agrícola do território. Os participantes manifestaram também interesse em continuar a envolver-se em futuras atividades organizadas em torno da instalação-piloto.
A Ferme du Futur é um dos cinco projetos-piloto selecionados no âmbito do AgroSOL, projeto cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do programa Interreg Sudoe 2021-2027. O seu objetivo é promover um modelo de agrivoltaica sustentável, resiliente e adaptado às pequenas e médias explorações agrícolas do espaço SUDOE.
Graças a estes demonstradores, o projeto avalia soluções inovadoras que permitem avançar na transição energética sem comprometer a produção agrícola, promovendo simultaneamente a participação dos agricultores, das administrações e dos cidadãos.
Este tipo de iniciativas evidencia o papel dos projetos-piloto enquanto espaços de aprendizagem, intercâmbio e demonstração. Contribuem para criar confiança, partilhar conhecimentos e dar a conhecer melhor o potencial da agrivoltaica como resposta aos desafios energéticos e agrícolas dos territórios rurais.
Um desafio particularmente relevante depois de um verão marcado por episódios de calor extremo, seca e incêndios que recordam a crescente vulnerabilidade dos territórios europeus face às alterações climáticas.
Neste contexto, a agrivoltaica pode também contribuir para reforçar a resiliência das explorações agrícolas e constituir uma ferramenta complementar de adaptação para uma agricultura cada vez mais exposta aos efeitos do stress climático. Este é precisamente um dos objetivos do AgroSOL: experimentar, avaliar e partilhar as condições em que estas soluções podem responder de forma sustentável às necessidades dos agricultores e dos territórios.
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