Novos avanços técnicos para reforçar a cadeia de valor do projeto
O projeto NEWPOWER continua a consolidar a sua base científica e técnica com avanços na caracterização, extração, fracionamento e transformação de biomassa agroflorestal.
Os trabalhos desenvolvidos por diferentes parceiros do consórcio permitem avançar para uma visão mais integrada da cadeia de valor: desde o estudo inicial da biomassa até à sua possível aplicação em bioprodutos, materiais avançados ou processos industriais de base biológica.
Uma cadeia de trabalho cada vez mais integrada
Nesta fase, os resultados obtidos mostram uma maior ligação entre as diferentes etapas do projeto.
A caracterização de resíduos agroflorestais, a obtenção de extratos bioativos, a análise das suas propriedades funcionais e a transformação de frações de biomassa em compostos de interesse são passos fundamentais para avaliar o potencial destas matérias-primas em modelos de biorrefinaria sustentável.
Universidade de Vigo: caracterização do tojo para novas aplicações
A Universidade de Vigo avançou na caracterização da fração lenhosa do tojo (Ulex europaeus), um resíduo agroflorestal com potencial de valorização em esquemas de biorrefinaria.
Após a aplicação de tecnologias de extração assistida, como micro-ondas, a equipa analisou o sólido residual obtido, avaliando a sua composição em celulose, hemiceluloses e lenhina.
Os resultados mostram conteúdos significativos de glucanos, o que reforça o interesse desta biomassa como matéria-prima para a obtenção de bioprodutos em setores como o químico, farmacêutico ou alimentar.
Além disso, a análise permite observar como as condições de extração — especialmente a temperatura e o tempo — influenciam diretamente a composição do material. Esta informação é essencial para otimizar a sua valorização em etapas posteriores, como a produção de bioetanol ou de químicos de plataforma.
Universidade do Minho: extração e fracionamento de biomassa
A Universidade do Minho centra os seus trabalhos na otimização de processos de extração e fracionamento de biomassa.
Em concreto, a equipa avalia a utilização de aquecimento óhmico para a extração de compostos bioativos a partir de biomassa floral, comparando esta abordagem com métodos térmicos convencionais.
Este trabalho permite analisar de que forma variáveis como a frequência ou a aplicação de pulsos influenciam o rendimento da extração e a qualidade dos compostos obtidos.
Da biomassa aos materiais avançados
Paralelamente, a Universidade do Minho desenvolve processos sequenciais de fracionamento para separar a biomassa nos seus principais componentes: hemicelulose, celulose e lenhina.
Para isso, estão a ser utilizadas técnicas como a auto-hidrólise com água subcrítica e processos de fracionamento com solventes organosolv.
As frações obtidas estão a ser transferidas para o CETIM para utilização no desenvolvimento de materiais avançados, como nanopartículas. Esta colaboração reforça a ligação entre o processamento da biomassa e as suas aplicações finais no âmbito do projeto.
Instituto Politécnico de Bragança: estudo das propriedades bioativas
O Instituto Politécnico de Bragança continua a avançar no estudo de biomassa proveniente do espaço SUDOE, com especial atenção à sua composição em compostos fenólicos e às suas propriedades bioativas.
Nesta fase, os trabalhos centram-se na análise de extratos obtidos em colaboração com a Universidade de Vigo.
Estes extratos estão a ser avaliados pelas suas propriedades antioxidantes, antimicrobianas e de citocompatibilidade.
Para novas aplicações funcionais
Esta abordagem permite dar continuidade aos processos de extração e caracterização desenvolvidos por outros parceiros, avançando para a validação do potencial dos extratos em aplicações concretas.
Entre elas, destacam-se possíveis utilizações como ingredientes funcionais ou compostos de interesse para os setores alimentar e farmacêutico.
Ao mesmo tempo, a equipa está a organizar os resultados obtidos para a sua integração em entregáveis do projeto e em futuras publicações científicas.
OPRIMEE: transformação de biomassa em ácido láctico
No domínio da transformação de biomassa, OPRIMEE (antigo BLC3 Evolution) trabalha na otimização de processos para a produção de ácido láctico.
Este composto desempenha um papel relevante como intermediário na produção de bioplásticos e de outros produtos de base biológica.
Os trabalhos centram-se na melhoria do processo que permite converter a biomassa em açúcares fermentáveis, através de hidrólise, e na sua posterior transformação por fermentação.
Otimização rumo a uma possível escala industrial
Um dos aspetos analisados pela OPRIMEE foi a influência do tipo de neutralização do meio resultante da hidrólise no rendimento final do processo.
Os resultados obtidos indicam que as diferentes estratégias avaliadas apresentam um comportamento equivalente, permitindo avançar para soluções que facilitem a recuperação de subprodutos sem afetar o processo global.
Além disso, a equipa desenvolveu um desenho experimental que combina parâmetros como tempo, temperatura e condições de reação, com o objetivo de identificar configurações mais eficientes e próximas de uma possível aplicação à escala industrial.
Cooperação transnacional para valorizar resíduos agroflorestais
Estes avanços evidenciam a importância de abordar a valorização da biomassa agroflorestal a partir de uma perspetiva integral e cooperativa.
Cada parceiro contribui a partir de uma etapa específica da cadeia de valor, mas os resultados interligam-se para avançar rumo a processos mais eficientes, sustentáveis e transferíveis.
Através desta cooperação transnacional, o NEWPOWER reforça o seu objetivo de transformar resíduos agroflorestais em recursos de elevado valor acrescentado, promovendo a bioeconomia circular, a inovação tecnológica e a geração de conhecimento aplicado no espaço SUDOE.
Podes acompanhar a evolução do projeto através dos canais oficiais do NEWPOWER no LinkedIn e no Instagram.
O futuro exige-o. Junta-te à revolução circular!
