A sessão centrou-se nos desafios e oportunidades oferecidos pela reparação, reutilização e remanufatura enquanto ferramentas para reduzir resíduos, otimizar recursos e gerar novas oportunidades de negócio. O evento contou com quase 60 inscritos, incluindo participantes presenciais e pessoas que puderam acompanhar a sessão online a partir de diferentes países.
O evento permitiu, ainda, dar a conhecer os avanços e resultados alcançados no âmbito do REMAIN, coordenado pelo Inescop, um projeto orientado para introduzir o conceito de remanufatura em setores tradicionalmente manufatureiros dedicados à produção de bens de consumo. Além disso, foi também apresentado o FASHION FORWARD, liderado pela MODACC, que aborda os principais desafios enfrentados pela indústria têxtil e da moda na União Europeia perante as exigências do Pacto Ecológico Europeu, especialmente no que diz respeito a uma gestão mais sustentável, eficiente e circular dos resíduos têxteis.
A sessão de abertura esteve a cargo de Paqui Arán, diretora da Área de I&D&I do Inescop, que destacou a importância de desenvolver soluções inovadoras alinhadas com as necessidades da indústria e os desafios ambientais. Participou também Isabelle Roger, diretora do Secretariado Conjunto do Interreg Sudoe, que sublinhou o valor da cooperação europeia como motor para impulsionar soluções sustentáveis.

Remanufatura para uma indústria mais sustentável
Um dos momentos mais destacados da jornada foi a intervenção de David Fitzsimons, diretor do European Remanufacturing Council, que abordou o potencial da remanufatura para transformar os atuais modelos de produção e consumo. Durante a sua apresentação, defendeu a necessidade de avançar para produtos concebidos para durar, serem reparados e recondicionados, prolongando assim a sua vida útil e reduzindo o consumo de matérias-primas. Além disso, destacou que a aposta na qualidade constitui um elemento-chave para tornar possível esta transição para uma economia mais circular, rompendo com a dinâmica de comprar, deitar fora e voltar a comprar, de forma a implementar a remanufatura.

A sessão permitiu também conhecer os avanços do REMAIN, uma iniciativa que combina sustentabilidade, robótica e inovação, com o objetivo de facilitar a reparação e a remanufatura em setores manufatureiros como o calçado. María Dolores Fabregat, responsável de Automação e Robótica no Inescop, apresentou na sua intervenção as ferramentas e os desenvolvimentos tecnológicos impulsionados no âmbito do projeto para reduzir o volume de resíduos através da remanufatura, permitindo prolongar a vida útil do calçado.
Ecodesign, dados e regulamentação: fatores-chave para a circularidade
O programa reuniu também especialistas de diferentes organizações que abordaram aspetos estratégicos para avançar rumo a uma economia circular efetiva. Lídia Morcillo, da MODACC, apresentou os objetivos do projeto Interreg Sudoe Fashion Forward, centrado em repensar o futuro da indústria da moda a partir de uma perspetiva sustentável. Por sua vez, Julia Villaplana, da FICE, expôs os aspetos-chave do ecodesign aplicado ao calçado e avançou algumas das recomendações incluídas no guia de ecodesign desenvolvido no âmbito do projeto REMAIN, concebido para ajudar tanto fabricantes como consumidores a tomar decisões mais sustentáveis.

Pelo Inescop, o investigador Adrián Amat destacou a necessidade de dispor de indicadores verificáveis que permitam medir de forma objetiva o impacto ambiental de produtos e organizações, evitando práticas de greenwashing e favorecendo uma tomada de decisões baseada em dados. Em seguida, Amalia Cuenca apresentou os avanços do projeto europeu ECOSTEP, orientado para impulsionar quadros comuns de ecodesign e sustentabilidade para a indústria do calçado.
A dimensão regulamentar foi abordada por Salomé Beneyto, gerente da ATEVAL, que analisou os novos requisitos europeus relacionados com ecodesign, rastreabilidade, Passaporte Digital do Produto e responsabilidade alargada do produtor, destacando a necessidade de acompanhar as PME nesta transição para modelos de negócio mais sustentáveis.

Um espaço para partilhar desafios e oportunidades
A jornada terminou com uma mesa-redonda que contou com a participação de representantes do Inescop, Proyecto Lázaro, MODACC e ATEVAL. Durante o debate, foram analisados alguns dos principais desafios para impulsionar a remanufatura, como a necessidade de reforçar a competitividade da indústria europeia, promover a colaboração entre organizações e aumentar a consciencialização dos consumidores sobre o valor dos produtos sustentáveis.

A jornada realizada no Inescop, no âmbito das atividades do projeto REMAIN, evidenciou que a reparação, a reutilização e a remanufatura se tornaram pilares fundamentais para construir uma indústria mais eficiente, resiliente e alinhada com os objetivos europeus de economia circular e com as exigências regulamentares que se estão a impor no mercado.