A Universidade de Vigo e a Universidade do Minho continuam a desenvolver novas tecnologias para aproveitar de forma integral a biomassa agroflorestal. Os trabalhos realizados no âmbito do NEWPOWER – Interreg Sudoe exploram a obtenção de bioetanol, compostos bioativos e frações de interesse para futuros materiais e aplicações industriais.
Bioetanol e compostos bioativos a partir de biomassa vegetal
A Universidade de Vigo avançou na transformação de madeira de giesta em bioetanol. Através de um processo de autohidrólise assistida por micro-ondas, a equipa obteve uma fração sólida rica em glucano, posteriormente submetida a sacarificação enzimática e fermentação para converter os açúcares libertados em bioetanol.
Paralelamente, a UVIGO estudou a extração sequencial de compostos bioativos presentes nas flores de carqueja. O processo combina solventes eutéticos naturais —NADES—, água e etanol num sistema em cascata orientado para o aproveitamento circular da biomassa.
Tecnologias sustentáveis para valorizar a giesta
Em colaboração com a Universidade de Vigo, a Universidade do Minho otimizou a extração de compostos fenólicos e flavonoides das flores de giesta através de aquecimento óhmico.
Os resultados mostram que a aplicação de campos elétricos moderados melhora a recuperação destes compostos face aos métodos convencionais e permite obter extratos com maior atividade antioxidante.
A UMinho iniciou também ensaios com ramos de giesta, combinando campos elétricos moderados e água em estado subcrítico. Os primeiros resultados mostram um comportamento promissor para a recuperação de hemiceluloses.
Além disso, em colaboração com o INPT-LCA, foram aplicados tratamentos Organosolv para obter extratos ricos em lignina e frações sólidas enriquecidas em celulose. As amostras foram enviadas para o CETIM, a fim de avaliar o seu potencial no desenvolvimento de novos compostos e materiais.
Rumo a novas aplicações
Os próximos trabalhos irão centrar-se na otimização das tecnologias desenvolvidas, na avaliação da viabilidade dos processos e no estudo das propriedades funcionais dos ingredientes e frações obtidos.
Em colaboração com a Ingredalia, será também estudada a sua possível aplicação industrial e a incorporação de extratos de tojo, carqueja e giesta em filmes biofuncionais para embalagens alimentares.
Estes avanços refletem a abordagem de biorrefinaria promovida pelo NEWPOWER, orientada para o aproveitamento de diferentes componentes da biomassa e para a obtenção de produtos de valor acrescentado a partir de recursos agroflorestais residuais.
Podes acompanhar a evolução do projeto através dos canais oficiais do NEWPOWER no LinkedIn e no Instagram.
O futuro exige-o. Junta-te à revolução circular!
