De los terceros lugares a los terceros lugares agroalimentarios

Dos 10 que existiam em 2011, os «terceiros lugares» da Nova Aquitânia são hoje mais de 200, espalhados por todo o território, na sua maioria em zonas rurais. Este resultado singular é fruto de uma política levada a cabo pela Região há vários anos e que lhe permite alcançar uma rede territorial única: mais do dobro da média nacional (fonte: France Tiers-Lieux).

Por que razão a Região se envolve tanto nos «terceiros lugares»?

Devido à sua natureza híbrida, os «terceiros lugares» respondem a necessidades não satisfeitas: espaços de trabalho partilhados abertos a todos (mais necessários do que nunca com o desenvolvimento massivo do teletrabalho e o desafio da relocalização da produção), mas também locais de inclusão digital, de programação cultural, de formação, de acompanhamento de projetos, de cafés associativos, de hortas partilhadas… Impulsionados por coletivos de cidadãos, são locais onde nos reunimos, conversamos, trocamos ideias e formamo-nos.

Nos últimos anos, estes novos espaços de trabalho têm vindo a sofrer uma transformação gradual. De facto, embora inicialmente se destinassem principalmente a oferecer espaços de coworking para o setor terciário, com o tempo tornaram-se muito mais do que simples escritórios partilhados. A relação com o trabalho evoluiu, nomeadamente com o desejo crescente de maior autonomia, sem estar isolado, mas sim ligado a uma rede profissional para partilhar recursos e competências. Esta mudança tem-se estendido progressivamente ao setor secundário (produção, artesanato, artesanato artístico), mas também ao setor primário (agricultura).

O que são os terceiros espaços alimentares e a que desafios dão resposta?
Numa região fortemente marcada pela sua identidade agrícola e gastronómica, como a Nova Aquitânia, os terceiros lugares alimentares têm um grande impacto. Contribuem para dar resposta a vários desafios importantes: a renovação geracional no setor agrícola, a relocalização das cadeias alimentares, o desenvolvimento de circuitos curtos ou o acesso de toda a população a uma alimentação de qualidade.

Os terceiros espaços alimentares constituem também espaços de experimentação coletiva. Permitem reunir agricultores, artesãos, habitantes, associações e coletividades em torno de projetos comuns relacionados com a alimentação e a agricultura. Ao articular a produção, a transformação, a distribuição e a sensibilização, estes espaços contribuem para a construção de sistemas alimentares territorializados mais sustentáveis.
Em particular, podem desempenhar um papel em:

o acompanhamento de novos agricultores através de mecanismos de teste ou de implementação progressiva;

a partilha de terras agrícolas e de equipamentos de transformação (laboratórios, fábricas de conservas, cozinhas profissionais);

o desenvolvimento de projetos coletivos que favoreçam os circuitos curtos;

a educação para uma alimentação sustentável e a sensibilização dos habitantes;

Há já alguns anos que estes espaços se consolidaram como infraestruturas de cooperação territorial. A sua capacidade de combinar atividades económicas, sociais, culturais e ambientais torna-os instrumentos especialmente adequados para responder aos desafios atuais dos territórios. Na Nova Aquitânia, o auge dos «terceiros lugares» alimentares ilustra esta evolução. Ao reinventarem as ligações entre a agricultura, a alimentação e a sociedade, estes locais contribuem para a transição ecológica e alimentar, reforçando simultaneamente o enraizamento local das atividades.

Para a Região da Nova Aquitânia, o desafio consiste agora em acompanhar estas dinâmicas, preservando simultaneamente a sua capacidade de inovação e o seu enraizamento nas iniciativas cidadãs.
E é que os «terceiros lugares» encarnam a lógica da descentralização: partem das necessidades territoriais e das competências dos cidadãos. São laboratórios de transição que permitem propor novos modelos socioeconómicos, novas relações sociais, formas de governação mais partilhadas e uma relação com o ambiente que respeite os equilíbrios sociais e naturais.

Os lugares terceiros permitem, assim, reinventar a relação com o território, renovar a ação pública e experimentar novas formas de cooperação local.