Conheça Alessandro Innocenti, selecionado na terceira convocatória com o seu projeto Digital Shape Engineering.
Fala-nos um pouco sobre ti e o teu percurso!
Sou Alessandro Innocenti, engenheiro mecânico industrial com um mestrado em Design Mecânico Computacional. A minha trajetória profissional tem-se centrado principalmente no design mecânico e no desenvolvimento de produto, tendo trabalhado como designer industrial, engenheiro júnior e investigador na Universidade de Cádis, na área dos materiais para fabrico aditivo. As minhas especialidades incluem a simulação por elementos finitos, as técnicas de otimização estrutural, a engenharia inversa através de scanners 3D e a reconstrução digital de peças.
Juntamente com os meus colegas Luis Segovia e David Sales, decidimos fundar a Digital Shape Engineering após identificarmos uma lacuna crítica entre as capacidades de inovação em design e fabrico dos centros de investigação e as necessidades técnicas reais do tecido industrial. Com o nosso projeto, propomos uma alternativa às ofertas atuais, permitindo que as empresas inovem no domínio do design e do fabrico sem necessidade de realizar grandes investimentos.
Como soubeste do SCAIRA?
Conheci a SCAIRA por recomendação da equipa do UCA Emprende, uma iniciativa da Universidade de Cádis que nos está a acompanhar e a aconselhar nas fases iniciais do projeto.
Em que fase se encontra atualmente a tua start-up?
A ideia foi desenvolvida e posta em prática em várias ocasiões no contexto industrial como serviço da Universidade. Deste modo, pudemos avaliar a sua viabilidade e o seu interesse no atual tecido industrial. Agora que decidimos criar uma empresa de base tecnológica da Universidade de Cádis com este objetivo, encontramo-nos em fase de constituição e prontos para prestar estes serviços.
Qual é a natureza do teu projeto e que problema pretende resolver?
Somos uma empresa de base tecnológica que presta serviços de engenharia para a indústria, estruturando a sua oferta em três grandes linhas de serviço complementares e independentes:
Design e digitalização 3D, orientados para a captura geométrica, a engenharia inversa e a geração de modelos digitais.
Simulação, focada na análise estrutural, térmica e funcional para a otimização e a redução de riscos técnicos.
Prototipagem e fabrico, através de tecnologias de fabrico aditivo, bem como de maquinagem de precisão e técnicas de fabrico convencionais, além de colaborações com fornecedores especializados.
O nosso projeto nasce com a missão de democratizar o acesso a tecnologias de vanguarda, permitindo que empresas e instituições de qualquer dimensão possam melhorar a sua capacidade de inovação, reduzir riscos técnicos e acelerar o desenvolvimento de produtos sem necessidade de realizar investimentos elevados em infraestruturas ou em pessoal altamente especializado. Dentro de alguns anos, vemo-nos como o parceiro tecnológico de referência para a inovação do tecido industrial da província de Cádis.
Que serviços do SCAIRA escolheste?
Serviço 4: Oportunidades de financiamento público nacional para start-ups e inovações verdes. Serviços 6 e 7: Prova de conceito (PoC) e MVP. Serviço 10: Marketing e comunicação. Serviços 13 e 14: Preparação do pitch para apresentação à indústria e a investidores, registo na LOOM e organização de encontros B2B entre start-ups e empresas industriais, bem como encontros B2F entre start-ups e investidores.
Quais são os teus objetivos a curto prazo durante o programa de aceleração?
O objetivo é melhorar o posicionamento da nossa empresa e ganhar tração utilizando as ferramentas desenvolvidas durante o projeto para obter financiamento e apoios, bem como para encontrar novos projetos e clientes. Para esse fim, será também de grande ajuda melhorar no domínio do marketing e na forma de apresentar a nossa empresa a potenciais clientes e investidores.
Qual é o teu público-alvo e que necessidades procuras satisfazer?
O nosso mercado-alvo são empresas e instituições que enfrentam desafios complexos nos seus ciclos de conceção, produção ou manutenção e que não encontram soluções eficazes através dos métodos de engenharia tradicionais. Ao atuar como parceiro tecnológico externo, facilitamos o acesso a ferramentas de inovação avançada, como a simulação multifísica e a digitalização 3D, sem necessidade de realizar grandes investimentos em ativos nem de contratar pessoal altamente especializado. Deste modo, podem implementar soluções técnicas de vanguarda que, de outra forma, ficariam fora do seu alcance operacional e financeiro. Estas necessidades gerais traduzem-se em requisitos técnicos muito concretos no atual tecido industrial, especialmente em setores como o aeroespacial, automóvel, transformador, naval e químico:
Gestão da obsolescência: reconstrução digital através de engenharia inversa de peças críticas, desgastadas ou descontinuadas para as quais não existem desenhos originais, com o objetivo de garantir a continuidade operacional.
Validação estrutural e simulação: utilização de ferramentas FEM/CFD para certificar o comportamento de componentes e sistemas antes do seu fabrico, reduzindo drasticamente os custos e os prazos associados aos protótipos físicos.
Desenvolvimento integral de produto: conceção, otimização e prototipagem completas para empresas que não dispõem de um departamento de engenharia próprio e necessitam de materializar uma ideia desde o início com garantias técnicas.
Otimização para a sustentabilidade: redesenho e aligeiramento de componentes estruturais para melhorar a eficiência na utilização dos materiais.
Digitalização e gémeos digitais: criação de réplicas virtuais de ativos industriais para monitorização em tempo real e desenvolvimento de estratégias de manutenção preditiva que minimizem paragens de produção não planeadas.
Que desafios identificas atualmente?
Os nossos principais desafios nesta fase incluem a baixa notoriedade, a falta de casos de sucesso e a procura de projetos e clientes industriais que permitam validar de forma definitiva a nossa ideia e o modelo organizacional proposto.
Tens uma equipa?
Sim. A equipa da Digital Shape Engineering inclui também Luis Segovia, físico e engenheiro de materiais. Domina a ligação ao mundo físico (materiais, fabrico aditivo e tecnologia WAAM). Como doutorado e docente na Universidade de Cádis (UCA) na área dos processos de fabrico, contribui com o conhecimento prático necessário para materializar os designs digitais. Inclui igualmente David Sales, engenheiro químico e doutorado em Ciência dos Materiais. É professor titular na Universidade de Cádis e possui ampla experiência em investigação aplicada e transferência de tecnologia. Especialista em materiais avançados, fabrico aditivo e economia circular, é coautor de patentes e de mais de 40 publicações científicas. David Sales contribui com a visão estratégica em I&D+i, o acesso a redes científico-industriais e o impulso de alianças tecnológicas para o crescimento da Digital Shape Engineering.