A Inescop estará presente, de 15 a 17 de setembro, na SIMAC Tanning Tech, em Milão, para apresentar um dos principais resultados do projeto europeu REMAIN: uma célula robótica desenvolvida para promover a automatização do processo de remanufatura do calçado. Os visitantes poderão conhecer este demonstrador no Pavilhão 14, Stand E48/F47.
Dar uma segunda vida a um sapato implica muito mais do que simplesmente repará-lo. É necessário conhecer o seu estado, identificar os danos provocados durante a utilização, determinar quais as partes que podem ser recuperadas e definir as operações necessárias para o reintegrar na cadeia de produção.
Este é um dos desafios abordados pelo REMAIN (Robotic REMAnufacturing of deformable Industrial products), projeto coordenado pela Inescop e cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do Programa Interreg Sudoe. O seu objetivo é demonstrar que a remanufatura pode tornar-se uma alternativa viável ao descarte de produtos de consumo, especialmente em setores como o calçado e o têxtil.
Robótica inteligente para dar uma segunda vida ao calçado
Ao contrário de outros produtos industriais, automatizar a remanufatura de um sapato implica trabalhar com um produto deformável e multimaterial, cujos componentes são unidos através de adesivos, dificultando a sua desmontagem, e que apresenta uma elevada variabilidade nos danos resultantes da utilização.
Para responder a este desafio, o REMAIN tem trabalhado no desenvolvimento de tecnologias que permitem detetar e avaliar danos através de visão artificial e inteligência artificial, incorporando perceção tátil e utilizando sistemas robóticos para realizar operações de desmontagem.
O resultado deste trabalho materializa-se na célula multirrobô que a Inescop apresentará na SIMAC, onde são integrados diferentes desenvolvimentos do projeto. Em concreto, este demonstrador global permite identificar e localizar zonas descoladas do calçado e, a partir dessa informação, calcular o ponto de preensão adequado para que dois robôs executem, de forma coordenada, a remoção controlada da sola.
Desta forma, o produto fica preparado para posteriores operações de reparação ou remanufatura que permitam prolongar a sua vida útil ou, quando tal já não seja possível, facilitar a sua reciclagem. A tecnologia desenvolvida abre, assim, novas possibilidades para avançar de um modelo baseado em produzir, utilizar e descartar para outro em que reparar e remanufaturar possam fazer parte da cadeia de valor do calçado.
Um projeto europeu para impulsionar a remanufatura industrial
O desenvolvimento do REMAIN foi possível graças ao trabalho conjunto de um consórcio europeu coordenado pela Inescop e constituído pelas Universidades de Zaragoza, Alicante e Coimbra , bem como pelo Clermont Auvergne INP; pela Federação das Indústrias de Calçado Espanhol (FICE); pelos parceiros industriais SMA-RTY e Automática y Control Numérico (ACN); e pela Câmara de Comércio AIDA CCI, contando ainda com a colaboração da associação social Proyecto Lázaro.
O projeto é cofinanciado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através do Programa Interreg Sudoe, processo S1/1.1/E0111.